sexta-feira, 3 de maio de 2013

O moço do sonho


Sabe quando você está tão saturado da mesma rotina, e olha que não é nem aquela de todo dia, mas o ciclo que se costuma repetir por qualquer motivo, comodismo, preguiça, medo, então resolve experimentar o sonho? 

EXPERIMENTAR deixar preconceitos, preceitos, preparações, qualquer "pre" que demonstre planejamento ou pensamento. Ir sem pensar em consequências, uma liberdade de coragem ou coragem de liberdade, pulo do penhasco quando voar ou cair na água tanto faz...

Foi assim com o moço do sonho, conheci em outro mundo paralelo, não seria pelas vias normais, apresentação formal, não se encaixaria...ele, numa conversa me perguntou: que tipo de música você gosta? Eu, querendo fazer média, disse todo tipo, cada uma tem o seu momento - diplomacia não era a resposta certa, recebi um então tá, a gente se fala! Pouco tempo depois, resolveu me dar outra chance de me redimir, então marcamos.

A minha primeira impressão observando ele conversar foi: eu tenho que ter cuidado com esse moço, aquela história da coragem, pular de penhasco e voar foi diminuindo, apesar da vontade de EXPERIMENTAR, era o novo interessante, inteligente, descolado, estilo barba e allstar, viajado, lindo, educado, mas recheado de "poréns", porém complicado, porém numa situação delicada, porém saindo ou ainda em outro lugar...começando a também como eu, experimentar.

E foi em meio às vontades, desejos, anseios por explorar que nos experimentamos. Urgências, vontades, fugas, fomos tudo novo e tudo tão bom, e também tão rápido que atropelamos algumas etapas, ou pulamos, nem sei...a dinâmica era tão rápida, planos que se faziam e desfaziam em minutos, ficava meio perdida no tempo ou no sonho. Juro que não sei.

Um belo dia eu tive medo, um medo tão grande que não sabia explicar, medo de estar tão à vontade despida de qualquer proteção, que de repente pular do penhasco já não seria o encontro da tal liberdade mas a possibilidade de uma ponta de rocha ou um mar bravio, não queria mais esses machucados, não mesmo. 

Hermética, era eu querendo retroceder e rearrumar armaduras, reconstruir as barreiras por detrás das quais me sentia segura e sã, mas na verdade já não podia mais, então como no ciclo eu me afasto, refugio no canto onde me refaço dos danos que me causo. 

O homem do sonho, ele sim, continua dando saltos dos penhascos e retomando seus ciclos, onde nos encontramos sempre, nesse lugar que chico disse:

 "...Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais..."