quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Retrato em branco e preto

Acordei sem muita vontade, o despertador às 5:30 tocou me lembrando as obrigações: passar roupa, arrumar mochila, vestir e alimentar a criança, acariciar cachorras, levar o lixo pra fora, pegar o carro e o engarrafamento, voltar, chegar...Cheguei! Já são 9 em duas horas vai tocar novo despertador, mas antes tocou outro e o som desse, estridente e alto bloqueando sons externos mostrava em painéis luminosos outras resoluções: lembrar de esquecer, seguir em frente, sorrir sorrir, esquecer, definitivamente esquecer, mas como?

Como? Se me ocupa tanto tempo pensar em coisas engraçadas interessantes inteligentes pra enviar dizendo nos sinais criptografados: "- estou com saudade vem conversar comigo.", se me interesso por tecnologia pra acompanhar as novidades que lhe fazem brilhar os olhos, se volto ao dicionário e checo a gramática pra não errar, o português perfeito lhe ouriça os pêlos do braço.

De que jeito? Se me irrita mais que qualquer coisa em todo universo errar em sua frente, se pra me esconder afio as lanças da ironia e firo mais do que deveria em mil anos, a mil pessoas, se viro essa metralhadora de contraposições e desvio seu olhar de minhas feridas, grandes e velhas.

Em quanto tempo? Se desenvolvo poderes mágicos para transformar ouro em cinzas, risadas em gritos ( em caixa alta na maioria das vezes), saudade em afastamento. Corro cada vez mais longe, estou cada vez mais longe e sem saber como voltar.

Então sei que não vou esquecer, eu quando encontro o caminho de volta me deparo com os danos que causei e não sei mais se pedir desculpas e lamentar vão fazer surtir qualquer efeito, faço como Chico disse:
 "...Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever..."
Pra te dizer que isso é pecado, não deveria ser desse jeito, eu fiz tudo errado. Desculpa.



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