domingo, 14 de abril de 2013

Queimei meus navios


Mania de tentar esquecer uma coisa, pessoa, sentimento se concentrando em outros iguais...pulando de galho quebrado pra barco furado, perdi mais do que tempo, perdi juízo, vergonhas, pudores, noites...

Foi quando Chico me disse: "...se ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, rompi com o mundo, queimei meus navios, me diz pra onde é que inda posso ir...", que tudo fez mais sentido, e explico melhor para mim e para outras pessoas como foi essa história com ele, que foi sim meu, meu Preto.

Uma boa amiga na época me vendo sofrendo ainda por uma figura, o ícone da sua teoria do "homem baiano", me disse entre caldos de sururu, cervejas geladas e noitadas na Barra:  - Amiga, vou te apresentar o cara que vai te fazer esquecer esse aí em dois tempos! Mal sabíamos que ele não só me faria esquecer do anterior como de mim mesma.

O destino, juntou e laçou tantas linhas que na mesma Barra, das cervejas geladas e caldos de sururu nos conhecemos rapidamente, e a minha impressão foi do tempo parar. Apurei os sentidos, enxerguei mais dos que olhos um pouco puxados, sardas apesar da pele negra, cheiro de mar e perfume, lábios perfeitos, bem desenhados, simpatia no lidar, ousadia ao enlaçar uma cintura pra apenas dois beijinhos, era a entrada de um labirinto...

Puxei alguns fios, mexi palitos e liguei os meus pontos nos dele, desde o primeiro encontro voltando andando nas curvas de Ipitanga, chuva, vento, prancha, mochila, tudo depois só detalhe. Ao chegar passei a flutuar, pairava a centímetros do chão, tudo tão cheio e vazio de sentido. Num desses momentos adormeci e quando acordei peguei os olhos dele em mim, foi nessa hora que perdi a rota traçada certa pra vencer o labirinto.

Dali pra frente fui quem achava que encaixava melhor pra acompanhar, foi então perdida que achei ter visto saídas e futuros, enfrentei adversários imaginários, imaginei  dragões e travei guerras solitárias, eu contra o mundo pra ficar com ele, que de lá da outra ponta acabou ficando distante demais. Mudei de fora pra dentro, não conseguia pertencer aos lugares, nessa dimensão alternativa, meu refúgio, fiquei mais sozinha do que nunca. 

Parando pouco antes de não querer mais parar naquela sequência de erros terrível que consome em ciclos e esvazia. Estive tão triste que quando fui perguntar pra onde deveria ir me dei conta que ele já não estava lá para responder há tempos.

Um comentário:

  1. E eu que pensei ter sido a única na face da terra a experimentar essa sensação de vácuo...

    ResponderExcluir