segunda-feira, 8 de abril de 2013

Não se afobe não que nada é pra já...

"...Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos

Vestígios de estranha civilização..."

Recomeço nesse passo da letra de Futuros Amantes que Chico me disse, quero produzir aqui as cartas, poemas, palavras e mentiras dos meus amores. 

Acho que eu devia começar da  primeira paixão que me recordo, na primeira série, logo que saí da pré-escola e entrei no colégio onde meus irmãos mais velhos já estudavam e que era pra mim um horizonte tão maior do que o arco de entrada e o pé de goiaba da antiga escolinha, que todos os dias sentia a excitação misturada com o medo terrível de recomeçar (acho que é a minha primeira recordação desse meu medo), o que fazia minha timidez potencializar ao máximo, queria virar os gongolos que costumava catar e brincar no jardim, mas aí passadas as primeiras aulas de adaptação, a missão de fazer novos amigos (mais uma primeira lembrança de outro medo), numa troca de cadernos a pró por engano colocou o de Miguel em minha mochila.

Miguel era a criança mais linda que já tinha visto, estava acostumada com a aversão dos meninos comum da idade, achava todos feios, melequentos, perturbados, mas ele não! 
Acho que nem era daqui, na época costumávamos ter muitos colegas de passagem, filhos de executivos ou funcionários públicos transferidos, ou alguma coisa do gênero. Ele chegava sempre bem arrumado, tinha os cabelos loiros, lisos, os olhos bem azuis, usava óculos e além de toda beleza era o mais inteligente da turma, como não amar?

Então o caderno dele veio parar por engano ou destino em minha mochila. Chegando em casa não tinha reconhecido até ver o cabeçalho tão bem feito que eu própria não costumava fazer, nas folhas de tarefas corrigidas encontrava ainda todo tipo de expressão de contentamento da professora às lições primorosamente respondidas. Era como se encontrasse um tesouro, no êxtase por estar com um pertence de Miguel, folheei com o cuidado com que se folheia uma obra de literatura de rara existência, senti que tinha encontrado um amor perfeito, baseado na perfeição dele próprio. 

Comecei cedo nessa carreira de amor platônico, amava ele com toda a minha timidez, amava por ser lindo, por ser inteligente e por não notar a minha existência. Eu devia ser uma das 6 Renatas da sala, nessa época me destacava pela total transparência, fazia questão, não existir me permitia viver meus sonhos sem que ninguém percebesse...

Destrocamos os cadernos na manhã seguinte, ele feliz por reaver o seu companheiro de estudos e eu arrasada por devolver a parte dele que me pertenceu.

Amei Miguel na sua perfeição até as férias de Junho quando ele viajou de volta a sua cidade de origem. Depois vieram mais anjos, arcanjos, santos e demônios nessa vida, desses conto depois...

3 comentários:

  1. "o que fazia minha timidez potencializar ao máximo" - Que timidez, cara pálida? Desde quando voce é timida? kkkkkkkk
    adorei o blog, continue escrevendo.

    beijos
    carol

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    Respostas
    1. Era extremamente tímida!! Ainda bem que passou! Que bom que gostou! Bjos Carol

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  2. Rena,

    Sei que você sabe que eu adoro ler o que você escreve. rsrs
    Desejo sucesso nessa sua "carreira de amor platônico", ainda em curso, amiga.
    Desejo que daqui pra frente as coisas aconteçam na ordem inversa das experiências ainda não contadas, ou seja: partindo logo pro tal do "anjo", pois bem sei o quanto essa lida cansa.

    Bjs,

    Edilene Andrade

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